17/08/2014


A felicidade faz você flutuar, mas só a tristeza tira você do lugar. 


veio a chuva forte e a derrubou

escalando com bússola
o ócio queimando o casulo de seda
no gerúndio que é a vida
celebrando, chorando e crescendo

pelo teatro de marré deci
subindo vou aquarelando o futuro
com teias minhas nossas teias
traçando de azul o escuro

pela solidão de (puta) amiga
matei por um abraço:
o meu de tão suicida
brotou dor no meu braço.

eu quero estudar Saturno
mas não consigo dançar em seus anéis
- de 0 a 10 qual é o tamanho da sua dor? 
fodeu, busca os pincéis! 




Autofobia (medo de estar consigo mesmo)


eu cativava o aroma
e o ventrículo doía: o esquerdo.
enquanto de gota em gota
lubrificava o que já não sentia: 
o fitar

que ao ver-me no espelho corria
com o peso da casca fria
o avistar longínquo
que (frouxo) sorria.

e ao saltar pela salgada maré
dançando com o ego nos pés
olhava para o espírito e dizia:
- é complexo, mas há de ter fé

para morrer com poesia
é preciso abrir o berreiro.
mas eu não quero ser poeta,
só quero cantar no chuveiro.